Maria Bethânia, 1966. Arquivo Nacional do Brasil
Maria Bethânia canta como uma jovem árvore que queima numa crepitação de madeira que se extingue para o alto. Tudo é combustão nessa extraordinária cantora cuja voz nos veio da Bahia, para transmitir uma mensagem de amor e poesia como raramente acontece.
Seu canto é livre e puro, mas não de uma pureza casta e desumana: é o encontro do céu com a terra, um casamento do mundo com o infinito. Nela o timbre crestado, com uma qualidade de juta, é um dos componentes mais humanos; mas seu canto se eleva mais alto, lírico, embriagado de espaço, cravejado de estrelas.
Maria Bethânia canta com a liberdade dos pássaros para fora e para cima, mas sem perda dessa intimidade fundamental à comunicação.
A benção Maria Bethânia!
Vinicius de Moraes
3/12/65
Maria Bethânia e Vinícius de Moraes, em 1972. Arquivo Nacional.

