Fotografía de Herr_Mueller - The Good Life #1
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31 de enero de 2025

Amélia Muge - Quem vier que venha (Saudação)

 

QUEM VIER QUE VENHA (SAUDAÇÃO)

Quem virá salvar-me
à cova do mal?
Uma folha preta
caiu no quintal.

Quem virá dizer-me
que a pressa dos dias
põe asas nos ossos,
tutano nas fantasias.

E quem vier, que venha quem vier,
que venha, que eu não espero ninguém,
ai o que me arrepia
é o avesso do além.


Quem virá mostrar-me
a estrada direita,
a letra dourada
na mão imperfeita?

Quem virá olhar-me
por dentro da lente,
que plano me salva
de um bem aparente?

E quem vier, que venha quem vier,
que venha, que eu não espero ninguém,
ai o que me arrepia
é o avesso do além.


Quem virá salvar-me
à cova do mal?
Uma folha preta
caiu no quintal.

Quem vier na chuva
sabe o que é molhado
e contas são contas,
seja pago ou dado.

E quem vier, que venha quem vier,
que venha, que eu não espero ninguém,
ai o que me arrepia
é o avesso do além.


Amélia Muge


Álbum Não Sou daqui (2010)

(a canção)   



12 de noviembre de 2023

Amália Rodrigues - Meu coração sem direito

 

Meu coração sem direito

Lá foi o tal coração
Que eu tinha contra vontade
Lá foi aquele ladrão
Não sei para que cidade

O meu velho coração
Que ficou triste comigo
Por causa desse ladrão
Não volta a ser meu amigo

Pobre de quem envelhece
Por fora do coração
Que novo nos aparece
Com uma nova paixão

Meu coração sem direito
De bater tão apressado
Anda dentro do meu peito
Onde não cabe, coitado

Vai-te embora coração
Eu não sou boa morada
Onde mora a solidão
Não há lugar p’ra mais nada


Amália Rodrigues


Poema de Amália Rodrigues, musicado y cantado por Amélia Muge. Tanta beleza…



27 de septiembre de 2023

Amélia Muge - Sete portas tenho em casa

 

SETE PORTAS TENHO EM CASA

Sete portas tenho em casa,
uma em cada direcção:
norte, sul, oeste e leste,
outra pròs bichos do chão,
e a de cima pra quem mora
lá por Marte ou em Plutão,
mais a que tu arrombaste
e era a do meu coração.

Trago o mundo na algibeira,
vou por terra de ilha em ilha,
passo a nado a cordilheira,
desço o deserto em trenó.
E o lencinho de Sevilha
que eu guardava na carteira
ouviu fado a noite inteira
e ficou de meter dó.

Trago o raminho do mundo
pendurado na cintura,
giestas de Singapura,
maracujá do Alasca,
alguém toca blues na tasca
e eu em Praga canto o fado
com o meu xaile enlaçado
no negro da boina basca.


Amélia Muge


Não sou daqui (2007)


(A canção)