Fotografía de Herr_Mueller - The Good Life #1
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17 de enero de 2025

Un aforismo de Julia Otxoa y un poema de Alberto Caeiro

 

Humilde reflexión de vuelo: la sombra del pájaro dibujada en tierra.

Julia Otxoa




XLIII

Antes o voo da ave, que passa e não deixa rasto,
Que a passagem do animal, que fica lembrada no chão.
A ave passa e esquece, e assim deve ser.
O animal, onde já não está e por isso de nada serve,
Mostra que já esteve, o que não serve para nada.

A recordação é uma traição à Natureza.
Porque a Natureza de ontem não é Natureza.
O que foi não é nada, e lembrar é não ver.

Passa, ave, passa, e ensina-me a passar!



7-5-1914


Fernando Pessoa: O Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro



(Fotografia de Stephanie Reis)