Fotografía de Herr_Mueller - The Good Life #1
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29 de julio de 2025

Vitorino - «Andando pela vida»

 

ANDANDO PELA VIDA

                                    À Lia Gama

Passeio-me pela vida
Sem lamento
Mal me querem, bem querendo
Ai madrugada, não me faltes

Ao encontro no tempo
Das margaridas
Desencontros, despedidas
Tanta Primavera triste...

Na boca um gosto
D'amor deixado
À rosa dos ventos
No céu estrelado

Coração não me abandones
Na rua de andar sozinha
Deixa-me a força que tinha
Do esplendor da Estrela d'Alva

Cigarro não fumado
Copo no chão
Vida dá-me a tua mão
Faz florir sempre o mês de maio!

Vitorino


Leitaria Garrett (1984)   



20 de febrero de 2025

Vitorino - Fado triste

 

FADO TRISTE

Vai ó sol poente
vai e não voltes
sem trazer no primeiro raio
notícias de quem se foi
numa madrugada amarga e triste
um navio de proa em riste
levou tudo o que eu guardei
Na caixa escondida dos afectos
no lembrar dos objectos
que enfeitavam o meu quarto
tudo perde a cor a forma o cheiro
ficaram só coisa esquecidas
da importância que tiveram
Volto sempre ao rio
às sextas-feiras p'ra lembrar
dias descuidados noites à toa
espero que o navio sempre queira
trazer de volta o sussurro
dos teus passos
numa rua de Lisboa


Vitorino



(álbum Canção do bandido, 1995 + álbum Vem devagarinho para a minha beira, Vitorino e dois pianos, 2020)







6 de febrero de 2025

António José Forte - «Poema»

 

POEMA

Alguma coisa onde tu parada
fosses depois das lágrimas uma ilha
e eu chegasse para dizer-te adeus
de repente na curva de uma estrela

Alguma coisa onde a tua mão
escrevesse cartas para chover
e eu partisse a fumar
e o fumo fosse para se ler

Alguma coisa onde tu ao norte
beijasses nos olhos os navios
e eu rasgasse o teu retrato
para vê-lo passar na direcção dos rios

Alguma coisa onde tu corresses
numa rua com portas para o mar
e eu morresse para ouvir-te sonhar


António José Forte



Este poema está indisolublemente asociado a la música y a la voz de Vitorino, en cuyo excelentísimo álbum Leitaria Garrett (1984) lo conocí.


19 de enero de 2025

Vitorino - Contos do Príncipe Real

 

CONTOS DO PRÍNCIPE REAL

No jardim do Príncipe Real
(ainda hoje tenho de lá ir)
encontrei-me com fulana de tal,
pus-me a ver as estrelas a luzir.

Trocámos silêncios de mãos dadas,
conversámos com os olhos e o pensar;
espreitámo-nos do quarto da criada
do Palácio Italiano com portal.

Mas um dia perdeu-se o coche vermelho
que a princesa levava sempre ao jardim,
meteu-se por caminhos que não têm fim,
perco a esperança de à noite tornar a vê-lo.

Novembro, maldito mês das almas,
nesse ano nem o azul do céu poupaste,
carregaste com nuvens de negro corte,
mas vamos rapazes depressa ao vinho,
porque ao vinho não o vence nem a morte.


Vitorino

Não ha terra que resista (1979)


(a canção)


16 de febrero de 2024

«Vou-me embora, vou partir» e mais uma

 

VOU-ME EMBORA, VOU PARTIR

Vou-me embora, vou partir mas tenho esperança
De correr o mundo inteiro, quero ir
Quero ver e conhecer rosa branca
A vida do marinheiro sem dormir

A vida do marinheiro branca flor
Que anda lutando no mar com talento
Adeus, adeus minha mãe, meu amor
Eu hei-de ir, hei-de voltar com o tempo



Del álbum Semear salsa ao reguinho (1975), de Vitorino. Y ya de paso, la canción que da título al disco.


SEMEAR SALSA AO REGUINHO

Semeei salsa ao reguinho
Hortelã daquela banda
Para lograr os teus carinhos
Tive que andar em demanda

Não julgues por eu cantar
Que a vida alegre me corre
Eu sou como um passarinho
Tanto canta até que morre