Fotografía de Herr_Mueller - The Good Life #1

30 de abril de 2025

Una fotografía de Gertrude Käsebier

 



Gertrude Käsebier
(1852 - 1934) - Zitkála-Šá, Sioux Indian and activist, 1898





Dos aforismos de Ángel Guinda,

 

Para decir adiós basta el silencio.


Somos una máscara del olvido.


Ángel Guinda


Huellas (1998)

Un aforismo de Ramón Eder


Una de esas camareras que nos producen el síndrome de Stendhal.

Ramón Eder



Eisho1 - Albany NY waitress resting, 2011




Una fotografía de Donald McLeish

 


Donald McLeish (1879 - 1950) - La Gran Esfinge de Gize antes de su excavación, 1921


«Diz a laranja ao limão…»

 

Diz a laranja ao limão:
qual de nós será mais doce?
Sou fiel ao meu amor,
assim ele p'ra mim fosse.

Assim ele p'ra mim fosse,
fiel ao meu coração.
Qual de nós será mais doce?
Diz a laranja ao limão.




Quevedo - «Miré los muros de la patria mía»

 

Miré los muros de la patria mía,
si un tiempo fuertes ya desmoronados
de la carrera de la edad cansados
por quien caduca ya su valentía.

Salime al campo: vi que el sol bebía
los arroyos del hielo desatados,
y del monte quejosos los ganados
que con sombras hurtó su luz al día.

Entré en mi casa: vi que amancillada
de anciana habitación era despojos,
mi báculo más corvo y menos fuerte.

Vencida de la edad sentí mi espada,
y no hallé cosa en que poner los ojos
que no fuese recuerdo de la muerte.

Francisco de Quevedo



(Recordemos que la patria de que habla Quevedo es la ciudad de Madrid, no España)



29 de abril de 2025

Dos fotografías de Daniele

 




Daniele - Alma, sueños, Villanova Monteleone, Sardegna, 2015




Juan Chabás - Palmera

 

Gregorio Prieto - Juan Chabás, (1922-24)


PALMERA

¡Talle nocturno y sombra despeinada!
Clamor de cielo y aire, signo apenas
de una playa de mirtos y sirenas,
espuma el talle y la melena alada.

¡Oh signo y norma de esta tierra anclada!
Esbelta ninfa, viento y mar estrenas,
caracola de lirios y azucenas,
de estrellas y alga verde coronada.

Nada perturba tu desnudo anhelo
ni tuerce la flexible primavera
con que susurras por llegar al cielo.

Erguida y llameante vas ligera
hasta el más alto azul, huyendo al suelo
para decir tu nombre de palmera.

Juan Chabás


(Denia, 1900 - Santiago de Cuba, 1954)







Gabino-Alejandro Carriedo - Soneto-Buey

 

SONETO-BUEY

Me hubiera muerto de dolor si no
hubiera visto un buey, si no me alzara
su noble vista un buey, su testa dura,
su testa corniforme, su fiel cara.

Si no me hablara un buey, si no tuviera
quien me mugiera: un buey, si no tocara
con su trompeta Armstrong, con su batuta
dulces gestos no hiciera o me ladrara.

Si no me arrinconara un buey, o acaso
si la cuerna de un buey no me privara
de tanta libertad cual necesito.

Me hubiera muerto de dolor o el rito
me hubiera convertido en buey o en laso
ser dulcifacilón si no me hartara.

Gabino-Alejandro Carriedo


La piña sespera (1948), en Nuevo compuesto descompuesto viejo (Poesía 1948-1979), con prólogo de Antonio Martínez Sarrión, poesía Hiperion/Ediciones Peralta, 1980.



28 de abril de 2025

El poeta, según Saint-John Perse

 

Poète est celui-là qui rompt pour nous l'accoutumance.

Saint-John Perse 

(1887 - 1975)


Poeta es aquel que rompe la costumbre para nosotros.




Ana Salomé - «Lume»

 

LUME

Comecei a fumar para te pedir lume.
Para arranjar um motivo. Para.
Tens lume? Perguntei-te.
Sim. Disseste. Levaste a mão ao bolso.
Engatilhaste o zippo. Todo prateado.
Abeiraste-te e fizeste concha com a mão direita.
Eras canhoto, como o coração.
Agora. Disseste.
E levei o cigarro até à chama.
Já está. E sorriste.
Importas-te que te acompanhe? Perguntaste.
Não, claro que não. Claro que não.
Está frio. Disseste. E esfregaste as mãos.
O cigarro sempre aquece.
Sim. Tossi.
Estás bem? Perguntaste.
Estou muito bem.
Óptimo. Disseste. E sorriste.
Aquele café além é acolhedor. Não tomas nada?
Um chá fazia bem à tosse. Perguntaste. E disseste.
Sim, um chá calhava bem. Estava mesmo a apetecer-me.
Parece que adivinhei. Disseste. E aí sorri eu.
Tomámos chá e de imediato fizemos planos de vida
Que correram mal, imediatamente mal.

Comecei a fumar para te pedir lume.
Para passar o frio.
Descobri que não viria a morrer
nem de cancro pulmonar, nem de amor,
mas da própria morte, mal o lume se apagou
e o café fechou as portas. Para sempre.

Ana Salomé 

(2009)


(Leído en el blog As folhas ardem)




W.B. Yeats - Leda y el cisne

 

LEDA Y EL CISNE

Un golpe súbito: bate las alas
sobre la chica hasta sentir sus muslos
bajo las patas, y le muerde el cuello
hasta que el seno inerme es ya su seno.

¿Cómo zafarse en su terror la mano
de la emplumada gloria entre los muslos?
¿Y cómo el cuerpo asido en blanco júbilo
puede ignorar el corazón ajeno?

Temblor del espinazo que concibe
el muro profanado y el saqueo,
la muerte del Atrida.
     Bajo el trance,
y sometida por la sangre etérea,
¿sumó la chica ciencia a ese poder
que abría ya su pico indiferente?

W.B. Yeats


(Traducción de Carlos Jiménez Arribas)



LEDA AND THE SWAN

A sudden blow: the great wings beating still
Above the staggering girl, her thighs caressed
By the dark webs, her nape caught in his bill,
He holds her helpless breast upon his breast.

How can those terrified vague fingers push
The feathered glory from her loosening thighs?
And how can body, laid in that white rush,
But feel the strange heart beating where it lies?

A shudder in the loins engenders there
The broken wall, the burning roof and tower
And Agamemnon dead.
                                           Being so caught up,
So mastered by the brute blood of the air,
Did she put on his knowledge with his power
Before the indifferent beak could let her drop?





«Leonardo da Vinci - Leda and the swan / Leda e il cigno (drawing) On the bottom left four babies are hatching from two (swan) eggs: Castor, Pollux, Helena & Clytemnestra. Devonshire Collection, Chatsworth» (Peter/Petrus Agricola)


27 de abril de 2025

Mino Maccari - Personajes

 


Mino Maccari (1898-1989) - Personages (Private Collection) Color lithograph; 50 x 70 cm.



(Milton Sonn, Flickr)

Teseo y el Minotauro

 


Teseo e Il Minotauro
Made in Athens. Red figured plate. Attributed to Paseas, ca. 525 - 475 BC
Paris Musée du Louvre


(Fotografía de Egisto Sani)


Jorge de Sena - «Em Creta, com o Minotauro»

 

EM CRETA, COM O MINOTAURO

 I

Nascido em Portugal, de pais portugueses,
e pai de brasileiros no Brasil,
serei talvez norte-americano quando lá estiver.
Coleccionarei nacionalidades como camisas se despem,
se usam e se deitam fora, com todo o respeito
necessário à roupa que se veste e que prestou serviço.
Eu sou eu mesmo a minha pátria. A pátria
de que escrevo é a língua em que por acaso de gerações
nasci. E a do que faço e de que vivo é esta
raiva que tenho de pouca humanidade neste mundo
quando não acredito em outro, e só outro quereria que
este mesmo fosse. Mas, se um dia me esquecer de tudo,
espero envelhecer
tomando café em Creta
com o Minotauro,
sob o olhar de deuses sem vergonha.



II

O Minotauro compreender-me-á.
Tem cornos, como os sábios e os inimigos da vida.
É metade boi e metade homem, como todos os homens.
Violava e devorava virgens, como todas as bestas.
Filho de Pasifaë, foi irmão de um verso de Racine,
que Valéry, o cretino, achava um dos mais belos da "langue".
Irmão também de Ariadne, embrulharam-no num novelo de que se lixou.
Teseu, o herói, e, como todos os gregos heróicos, um filho da puta,
riu-lhe no focinho respeitável.
O Minotauro compreender-me-á, tomará café comigo, enquanto
o sol serenamente desce sobre o mar, e as sombras,
cheias de ninfas e de efebos desempregados,
se cerrarão dulcíssimas nas chávenas,
como o açúcar que mexeremos com o dedo sujo
de investigar as origens da vida.



III

É aí que eu quero reencontrar-me de ter deixado
a vida pelo mundo em pedaços repartida, como dizia
aquele pobre diabo que o Minotauro não leu, porque,
como toda a gente, não sabe português.
Também eu não sei grego, segundo as mais seguras informações.
Conversaremos em volapuque, já
que nenhum de nós o sabe. O Minotauro
não falava grego, não era grego, viveu antes da Grécia,
de toda esta merda douta que nos cobre há séculos,
cagada pelos nossos escravos, ou por nós quando somos
os escravos de outros. Ao café,
diremos um ao outro as nossas mágoas.



IV

Com pátrias nos compram e nos vendem, à falta
de pátrias que se vendam suficientemente caras para haver vergonha
de não pertencer a elas. Nem eu, nem o Minotauro,
teremos nenhuma pátria. Apenas o café,
aromático e bem forte, não da Arábia ou do Brasil,
da Fedecam, ou de Angola, ou parte alguma. Mas café
contudo e que eu, com filial ternura,
verei escorrer-lhe do queixo de boi
até aos joelhos de homem que não sabe
de quem herdou, se do pai, se da mãe,
os cornos retorcidos que lhe ornam a
nobre fronte anterior a Atenas, e, quem sabe,
à Palestina, e outros lugares turísticos,
imensamente patrióticos.



V

Em Creta, com o Minotauro,
sem versos e sem vida,
sem pátrias e sem espírito,
sem nada, nem ninguém,
que não o dedo sujo,
hei-de tomar em paz o meu café.



Jorge de Sena


Peregrinatio ad loca infecta (1969)


Eduardo White - «Das palavras»


DAS PALAVRAS

Não mordas assim as palavras para que não te surpreendas, não as decepes. Não deixes a espada vil da mentira roubar-lhes a alegria. Quando as disseres aperta-as contra o peito. Faz um esforço por senti-las. Nas palavras cabem sempre o que para isso for preciso. Entra dentro delas como um milagre, como se uma pedra, de repente, se tornasse numa cigarra, como se o mar inteiro não te afogasse. Não as fites para as afastar. Não as rejeites. Pensa-as muitas vezes. As palavras não podem acordar com essa intenção de magoar. Distingue-as, toca nelas lentamente. Deixa que sejam limpas, que tenham chão, que façam vento. Dá-lhes a frescura de um limão, o êxtase que nelas se pode demorar. Não as digas, beija-as. As palavras povoam o que tu não podes povoar.

Ama as palavras, a possibilidade que são de poderes sonhar. Diz: Lua, grave, animal, gravura, diz verbo, teia, largura, diz pedra, luz água, jardim, planeta, unha, diz as palavras límpidas e transparentes, como amarelo, tremor, invenção, como clarão, erva, ou pão e verás como as palavras são fábulas, enredos, e as forças da língua em que vives e do chão de onde as dizes.

Eduardo White


(Eduardo White: Quelimane, 1963 - Maputo, 2014)






26 de abril de 2025

Dos de Erwin Blumenfeld en color

 

Model and Mannequin, NY, 1945


Line on FaceNY, c. 1947



Diego Álvarez Miguel - Silencio

 

SILENCIO

En todas las canciones –dices mientras pones
el vinilo en el tocadiscos de tu padre–
hay un instrumento diferente
que no es de viento ni es de cuerda y
que suena entre todos los demás.
No hay músico alguno que sepa tocarlo
ni documentos en la historia que lo expliquen,
pero si me miras a los ojos mientras suena
–me dices– podrás ver que completa la canción
como el aire llena el árbol, como el cielo
hace con la imagen puntual de las estrellas.

Diego Álvarez Miguel

(Oviedo, 1990)


Hidratante Olivia, Hiperión, 2015, XXX Premio de poesía Hiperión



«Sobre a paixão pelas línguas de João Guimarães Rosa»


Começou ainda criança a estudar diversos idiomas, iniciando pelo francês quando ainda não tinha 6 anos. Em entrevista concedida a uma prima, anos mais tarde, afirmou:


“Eu falo: português, alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, esperanto, um pouco de russo; leio: sueco, holandês, latim e grego (mas com o dicionário agarrado); entendo alguns dialetos alemães; estudei a gramática: do húngaro, do árabe, do sânscrito, do lituano, do polonês, do tupi, do hebraico, do japonês, do checo, do finlandês, do dinamarquês; bisbilhotei um pouco a respeito de outras. Mas tudo mal. E acho que estudar o espírito e o mecanismo de outras línguas ajuda muito à compreensão mais profunda do idioma nacional. Principalmente, porém, estudando-se por divertimento, gosto e distração.”



(Wikipédia)


25 de abril de 2025

António Gonçalves - «Dezoito anos. Quase loiros os cabelos...»

 

Dezoito anos. Quase loiros os cabelos.
O verde nos olhos. E um estranho lume
no corpo quando dança.
Saiu agora da longa casa da infância,
e trabalha das nove às seis
algures num subúrbio.
Não gosto de pensar que em breve
não mais terá dezoito anos,
nem quase loiros os cabelos.
Talvez o verde nos olhos, mas já não
um estranho lume no corpo quando dança.


António Gonçalves



(A vida secreta das palavras - O Blog da biblioteca da escola secundária de Tondela)




José Tolentino Mendonça - «Saudades de Alexandria»



SAUDADES DE ALEXANDRIA

Posso dizer a idade da sombra
onde o nome repousa
mas é um jogo mortal
deixar esse abismo
descoberto
alguém pode encontrar a morte

Posso dizer: recuperem dos espelhos
as sublimes imagens
tragam-me a beleza antiga
um dia incendiada

Ah tenho saudades de Alexandria
onde os poemas se escreviam
para o fogo
o único recitador tão perfeito
que não se repete


José Tolentino Mendonça



Longe não sabia (1997)



«25 de Abril sempre!, senhor Montenegro»

 

Manuel Barroso - 25 de abril — 50 anos


Ana Caldas - 25 de Abril _ 2022


Nuno Lopes de Oliveira - 25 de Abril (2011)


AL 0 - 25 de Abril  (2010)


Fedee P - 25 abril 2009, Lisboa



24 de abril de 2025

La mezquita de Córdoba, vista por David Cockney

 



David Cockney - Cordoba, 2008



Eugenio Montejo - Escritura

 

ESCRITURA 

Alguna vez escribiré con piedras,
midiendo cada una de mis frases
por su peso, volumen, movimiento.
Estoy cansado de palabras.

No más lápiz: andamios, teodolitos,
la desnudez solar del sentimiento
tatuando en lo profundo de las rocas
su música secreta.

Dibujaré con líneas de guijarros
mi nombre, la historia de mi casa
y la memoria de aquel río
que va pasando siempre y se demora
entre mis venas como sabio arquitecto.

Con piedra viva escribiré mi canto
en arcos, puentes, dólmenes, columnas,
frente a la soledad del horizonte,
como un mapa que se abra ante los ojos
de los viajeros que no regresan nunca.

Eugenio Montejo




José Agustín Goytisolo - El verde oscuro y terso

 

EL VERDE OSCURO Y TERSO

Reinaba el limonero sobre el fondo
del jardín y aunque nadie lo regaba
debió beber la lluvia y el rocío
pues era hermoso y fuerte. Cuando echaba
la flor de azahar colmaba de lisura
el aire. Y aun ahora en el recuerdo
sigue ofreciendo frutos amarillos
como hizo siempre que el jardín duró.
Después —en donde estuvo— un edificio.
señala la ignonimia. A ojos cerrados.
el verde oscuro y terso de las hojas.
sigue brillando sobre el tiempo ido.

José Agustín Goytisolo


Claridad (1961), en Los poemas son mi orgullo  antologia poética. Edición y prólogo de Carme Riera. Lumen, 2ª edición, 2003


Un aforismo de Eduardo García

 

A mitad de una frase sorprender en tu voz al enemigo.

Eduardo García


Las islas sumergidas, Cuadernos del Vigía, Granada, 2014.



23 de abril de 2025

Una fotografía de Ian Brumpton

 


Ian Brumpton - The man who loved books, 2009


Vittorio Gassman - Selección

 

SELECCIÓN

Si madurar es escoger Flaiano
estaba en el umbral de la madurez.
Vuelvo a verlo allí, en la calle Tevere,
un gris apartamento, un espacio
medio vacío: le gustaba recibir
así a los amigos. Sillas, una mesa, una cama
diez libros, no más, en el suelo.
                «Estoy contento, pero al orden perfecto,»
                me dijo, «le falta un toque 
                de sobriedad. ¿Qué es lo indispensable?»
Tapó la luz con el estor,
esparció el montón
de libros: «Diez... es demasiado.
Mañana los reduzco. Nueve... ocho...»

Vittorio Gassman


Vocalizzi (1988)



SELEZIONE

Se maturare è scegliere Flaiano
era alla soglia della maturità.
Lo rivedo là, in via Tevere,
un grigio residence, un vano
semivuoto: gli piaceva ricevere
così gli amici. Sedie, un tavolo, un letto;
dieci libri, non piu, sul pavimento.
                «Sono contento, ma all'ordine perfetto,»
                mi disse, «manca un tocco
                di sobrietà. Cos'è l'indispensabile?»
Tappò la luce con la tenda avvolgibile,
sparpagliò a terra il blocco
dei libri: «Dieci... è troppo.
Domani li riduco. Nove... otto...»




(Traducción de PLC)


Un aforismo de Jordi Doce para el Día del Libro

 

Leemos por aproximación.

Jordi Doce


Perros en la playa, La Oficina, 2011


Fotografía de Guima (2016)



Una fotografía de Yoshitaka Kashima

 



Yoshitaka Kashima - Bookstore, 2020



Miguel Mackinlay - La joven lectora (1945)

 


«“The young reader”, 1945 // By Miguel MacKinlay (Spanish painter and draughtsman, active in London, Perth, Paris and Madrid, 1896-1958)»


Nunca había oído hablar de este pintor. Esta obra la descubrí en la galería de Miguel Catalán (q.e.p.d.) en Flickr.


 Miguel Mackinlay Home Page


Antonio Berni - La muchacha del libro (1936)

 


Antonio Berni (1905 - 1981) - La muchacha del libro, 1936



Charles-Guillaume Steuben - La lectora (1829)

 



Charles-Guillaume Steuben (1788 - 1856) - La liseuse, 1829. Nantes, Musée des Beaux-Arts



22 de abril de 2025

Una fotografía de Nate Miller

 


Nate Miller - East Timor, 2003



Ramón Irigoyen - Yerbín del corazón

 

YERBIN DEL CORAZÓN

La amistad es una mata fresca que echa flores
blancas, rojas, azules y amarillas
y desparrama un aroma espeso
a alcoba alegre y recogida
donde durmieron muchos cuerpos jóvenes.

La amistad es una tormenta de licores
dulces, secos, amargos, lujuriantes
y uno se emborracha algunas noches
hasta rodar abriéndose hasta el cielo.

La amistad más caliente
huele a campo y a bar con mucha gente
y tiene las holguras bien dispuestas
de un puerto con mil barcas.

La amistad es una liebre con maneras de reina.
En su bosque cobija compañía y delicias,
también alguna espina.

Pero, igual que el amor se desmorona
y se convierte en una sombra paralítica,
la amistad más radiante se apaga algunas veces.

Y entonces el amigo del alma
te invita a su chalé con muchas rosas
y saca unas cervezas poco frescas.
y en el jardín te sientas a su lado
y cuando aún con emoción le dices
¡qué hermosos los ciruelos!,
te contesta a un tiro de honda
acércame ese plato de aceitunas.

Y ya nada hay que hablar.
Y te levantarás con la tristeza de los árboles
y por primera vez no apretarás su mano al estrecharla
y rodarán al césped doce barbos.

Ramón Irigoyen


Cielos e inviernos. 2ª edición (1ª en Ediciones Hiperión), diciembre 1980



Dos poemas de Juan Gil-Albert

 

A la vejez

Como una sombra a veces te insinúas
lejos aún y un tiempo deliciosa,
casi como una joven que aportara
un nuevo resplandor. Siento en mi cuerpo
la transparente imagen de ti misma
como un sedoso velo que adormece
bríos y ansias. Vas como hechicera
vertiéndome en la sangre un bebedizo
y dando a mi sonrisa una engañosa
sombra primaveral. Qué importa, dices,
si en tus cabellos anda floreciendo
una pálida aurora y a tu puerta
hago sonar con férvida llamada
al juvenil discípulo extasiado.
¿Alguna vez brotaron de tu boca
tal caudal de estivales melodías
ni sentiste en lo hondo de tu pecho,
entre los borbotones de la sangre,
abrirse con dominio tan hermoso
tu flor crepuscular? Oye el susurro
con que se encrespa el don de la palabra
bajo el suave rocío del ocaso.
Y ante tal persuasión, ¿quién no abandona,
como un placer postrero que nos tienta,
su vida a esta fiel mano amortiguada
que pule cuanto toca?




Anacreonte o el enamorado

                                   (Homenaje a la vejez)


Nunca pude pensar que envejecernos
fuera esta plenitud que se reclina
del lado del poniente como tarde,
ya en la noche avanzada, nos volvemos
por consumir el sueño que nos queda
con postrer frenesí. Yo no sabía
que como rizos blancos la fragancia
de unas rosas postreras nos adornan
con impalpable toque de años idos
que apenas pesan. No, no son los días
aquel desconfiado interrumpirnos
en nuestra actividad, indecisiones
que nos hacen vivir cual si la vida
estuviera engañándonos. Ahora
todo es verdad, la vista se recrea
sobre tanto fastidio insatisfecho
como el pastor vigila sus ovejas,
pasado el crudo sol, en los confines
de un país menos hosco. Todo es suave
como un atardecer ensimismado.
Y aunque el cuerpo cansino no recuerde
sus sobresaltos, dentro, muy adentro,
el permanente joven sin torturas,
el corazón, no cesa de decirse
-a quién, ya no se sabe, a quién, en dónde-:
Amor, amor, amor, amor, amor.



Una fotografía del Baron Adolf de Meyer

 



Baron Adolf de Meyer (1868-1946) - Roses in vase, ca. 1911. Platinum print.



Caravaggio - Marta y María Magdalena

 


Caravaggio - Marta e Maria Maddalena, 1598



Arnold Newman - Igor Stravinsky, 1946

 





Arnold Newman (Nueva York, 1918 - 2006)



Igor Stravinsky (Shveytsarskaya Ulitsa, San Petersburgo, 1882 - Nueva York, 1971)



Un aforismo de José Ignacio Foronda


En un árbol sin hojas hay un nido. Y en el nido vacío, mi destino.

José Ignacio Foronda



21 de abril de 2025

Edwin Holgate - Suzy, 1921

 



Edwin Holgate (1892 – 1977) - Suzy, 1921



Góngora - «Hermana Marica, / mañana, que es fiesta…»

 

Hermana Marica,
mañana, que es fiesta,
no irás tú a la amiga
ni yo iré a la escuela.
Pondráste el corpiño
y la saya buena,
cabezón labrado,
toca y albanega;
y a mí me pondrán
mi camisa nueva,
sayo de palmilla,
media de estameña;
y si hace bueno
traeré la montera
que me dio la pascua
mi señora abuela,
y el estadal rojo
con lo que le cuelga,
que trajo el vecino
cuando fue a la feria.
Iremos a misa,
veremos la iglesia,
darános un cuarto
mi tía la ollera.
Compraremos de él
(que nadie lo sepa)
chochos y garbanzos
para la merienda;
y en la tardecica,
en nuestra plazuela,
jugaré yo al toro
y tú a las muñecas
con las dos hermanas
Juana y Madalena
y las dos primillas
Marica y la tuerta;
y si quiere madre
dar las castañetas,
podrás tanto dello
bailar en la puerta;
y al son del adufe
cantará Andrehuela:
«No me aprovecharon,
madre, las hierbas»;
y yo de papel
haré una librea
teñida con moras
por que bien parezca,
y una caperuza
con muchas almenas;
pondré por penacho
las dos plumas negras
del rabo del gallo,
que acullá en la huerta
anaranjeamos
las carnestolendas;
y en la caña larga
pondré una bandera
con dos borlas blancas
en sus tranzaderas;
y en mi caballito
pondré una cabeza
de guadamecí,
dos hilos por riendas;
y entraré en la calle
haciendo corvetas
yo, y otros del barrio,
que son unas de treinta.
Jugaremos cañas
junto a la plazuela,
por que Barbolilla
salga acá y nos vea;
Bárbola, la hija
de la panadera,
la que suele darme
tortas con manteca,
porque algunas veces
hacemos yo y ella
las bellaquerías
detrás de la puerta.

                    (1580)


Luis de Góngora


No es exactamente un romance, sino un romancillo (versos hexasílabos)



amiga, miga. f.

1. Maestra de escuela de niños pequeños
(...) En el drae-01 (s.v. amigo, ga), amiga es «Maestra de escuela de niñas» y se señala como poco usada, pero a diferencia del dhle (s.v. amigo, ga, acepción 8 b), que la localiza en Andalucía, Aragón y Canarias, no hay ninguna marca geográfica. El primer ejemplo es de 1581, de Góngora. (...)

2. Escuela de párvulos, especialmente de niñas.

(RAE)



Dos poemas de Carolina Escobar Sarti

 

CAMINANTES DE ANTES

Transeúntes que recuerdan
el rastro de carreta
el rumor de letanía
el bostezo de las horas.

Rodamos palabra
sobre palabra
por la orilla del tiempo
y de tanto empalabrar
hasta canas tienen ya
los espíritus de los muertos.

El camino tiene ojeras.

Lo recorren
los caminantes
desvelados
que amarran las letras.




SÓLO SOMOS TIEMPO

Distancia inventada para
contar arrugas
amantes
y ausencias.

No poetas
sino duración de lo que cambia
y se mueve.

Bomba de tiempo
unidad de tiempo
ecuación de tiempo
temporal
presente
pretérito indefinido
futuro
y para no creernos eternos
futuro muerto.


Carolina Escobar Sarti

(Guatemala, 1960)


No somos poetas (2006)



20 de abril de 2025

Nikos Kazantzakis - «No hay ideas, sólo hay personas...»

 

No hay ideas, sólo hay personas que portan las ideas, y éstas adquieren la estatura de la persona que las porta.

Nikos Kazantzakis



Δεν υπάρχουν ιδέες - υπάρχουν μονάχα άνθρωποι που κουβαλούν τις ιδέες - κι αυτές παίρνουν το μπόι του ανθρώπου που τους κουβαλάει.

Νίκος Καζαντζάκης



Ο Νίκος Καζαντζάκης "πολίτης του κόσμου" 


Una fotografía de Joris Dewe

 


Joris Dewe - Elegance, 2017




Francisco Rodríguez Clement - Dama con mantilla

 


Francisco Rodríguez  Clement  (1861 - 1956) - Dama con mantilla, (med. s. XIX)



Una fotografía de Friedrich Seidenstücker

 



Friedrich Seidenstücker (1882 - 1966) - Zwillinge Hilde und Helga Fischer, 1948




Alejandra Pizarnik - Verde paraíso

 

VERDE PARAÍSO

extraña que fui
cuando vecina de lejanas luces
atesoraba palabras muy puras
para crear nuevos silencios

Alejandra Pizarnik




Mia Farrow y Rommy Schneider, por Jeanloup Sieff

 

Mia Farrow, 1968


Romy Schneider, Paris, 1969



Jeanloup Sieff (París, 1933-2000)



19 de abril de 2025

Un par de seguidillas

 

Divina Belisa,
niña de perlas,
déjame que te ensarte,
no te me pierdas.



Mientras más me meneo
más me regalo,
hasta darte, mi vida,
lo deseado.




Fausto - Eu tenho um fraquinho por ti

 

EU TENHO UM FRAQUINHO POR TI

Eu tenho um fraquinho por ti
tu não me dás atenção
tu não me passas cartão
quando eu me ponho a teu lado
tremo nervoso de agregado
e meto os pés pelas mãos
tu vais gozando um bocado
a beber vinho t ostão
e eu com o disc urso engas gado
fico a um canto, que arre lia,
de toda a cerveja ria
onde vais rasgar a noite
se te olho com tern ura
olhas-me do alto da burra
que mais parece um açoite
é um susto um arrepio
que me malha em ferro frio

Eu tenho um fraquinho por ti
que me vai de lés a lés
tu dás-me sempre com os pés
quando me atiro enamorado
num estilo desajeitado
disfarço em bagaço e café
tu fumas o teu cruzado
e fazes troça, pois é,
já tenho o caldo entornado
esqueces-me da noite pró dia
em alegre companhia
de batidas e rodadas
tu ficas nas sete quintas
marimbas, estás-te nas tintas
p´ra que eu ande às três pancadas
basta um toque sedutor
eu cá sou um pinga-amor.

Eu tenho um fraquinho por ti
que me abrasa o coração
quase me arrasa a razão
a tua risada rasteira
deixa-me de rastos, à beira
do enfarte da congestão
encharco-me em chá de cidreira
mofas de mim atiras-te ao chão

zombando à tua maneira
lá fazes a despedida
ao grupo que vai de saída
dos amigos da Trindade
mas no fim da noite, à noitinha,
acabas triste e sozinha
à procura de amizade
e como é costume teu
chamas o parvo que sou eu.

Afino uma voz de tenor
ensaio um ar duro de macho
quando estás na mó de baixo
quero ver-te arrependida
mas numa manobra atrevida
rufia, muito mansinha,
dás-me um beijo e uma turrinha
que me põe num molho num cacho
estremeço com pele de galinha
e gosto de ti trapaceira
da tua piada certeira
do teu aparte final
do teu jeito irreverente
do teu aspecto contente
do teu modo bestial
noutra palavra mais quente
eu tenho um fraquinho por ti.


Fausto   


Histórias de Viageiros (1979)




Ida Vitale - Misterios

 

MISTERIOS

Alguien abre una puerta
y recibe el amor
en carne viva.
Alguien dormido a ciegas,
a sordas, a sabiendas,
encuentra entre su sueño,
centelleante,
un signo rastreado en vano
en la vigilia.
Entre desconocidas calles iba,
bajo cielos de luz inesperada.
Miró, vio el mar
y tuvo a quién mostrarlo.
Esperábamos algo:
y bajó la alegría,
como una escala prevenida.

Ida Vitale




Herbert List - Deutschland marschiert

 


Herbert List - Deutschland marschiert, Weltausstellung Paris 1937. 


(Copyright: Michael Scheler/Hamburg und Münchener Stadtmuseum)



18 de abril de 2025

León Felipe - ¡Qué lástima!

 

AUTORRETRATO


¡QUÉ LÁSTIMA!

¡Qué lástima
que yo no pueda cantar a la usanza
de este tiempo lo mismo que los poetas que hoy cantan!
¡Qué lástima
que yo no pueda entonar con una voz engolada
esas brillantes romanzas
a las glorias de la patria!
¡Qué lástima
que yo no tenga una patria!
Sé que la historia es la misma, la misma siempre, que pasa
desde una tierra a otra tierra, desde una raza
a otra raza,
como pasan
esas tormentas de estío desde esta a aquella comarca.
¡Qué lástima
que yo no tenga comarca,
patria chica, tierra provinciana!
Debí nacer en la entraña
de la estepa castellana
y fui a nacer en un pueblo del que no recuerdo nada;
pasé los días azules de mi infancia en Salamanca,
y mi juventud, una juventud sombría, en la Montaña.
Después… ya no he vuelto a echar el ancla,
y ninguna de estas tierras me levanta
ni me exalta
para poder cantar siempre en la misma tonada
al mismo río que pasa
rodando las mismas aguas,
al mismo cielo, al mismo campo y en la misma casa.
¡Qué lástima
que yo no tenga una casa!
Una casa solariega y blasonada,
una casa
en que guardara,
a más de otras cosas raras,
un sillón viejo de cuero, una mesa apolillada
y el retrato de un mi abuelo que ganara
una batalla.
¡Qué lástima
que yo no tenga un abuelo que ganara
una batalla,
retratado con una mano cruzada
en el pecho, y la otra en el puño de la espada!
Y, ¡qué lástima
que yo no tenga siquiera una espada!
Porque…, ¿Qué voy a cantar si no tengo ni una patria,
ni una tierra provinciana,
ni una casa
solariega y blasonada,
ni el retrato de un mi abuelo que ganara
una batalla,
ni un sillón viejo de cuero, ni una mesa, ni una espada?
¡Qué voy a cantar si soy un paria
que apenas tiene una capa!

Sin embargo…
en esta tierra de España
y en un pueblo de la Alcarria
hay una casa
en la que estoy de posada
y donde tengo, prestadas,
una mesa de pino y una silla de paja.
Un libro tengo también. Y todo mi ajuar se halla
en una sala
muy amplia
y muy blanca
que está en la parte más baja
y más fresca de la casa.
Tiene una luz muy clara
esta sala
tan amplia
y tan blanca…
Una luz muy clara
que entra por una ventana
que da a una calle muy ancha.
Y a la luz de esta ventana
vengo todas las mañanas.
Aquí me siento sobre mi silla de paja
y venzo las horas largas
leyendo en mi libro y viendo cómo pasa
la gente a través de la ventana.
Cosas de poca importancia
parecen un libro y el cristal de una ventana
en un pueblo de la Alcarria,
y, sin embargo, le basta
para sentir todo el ritmo de la vida a mi alma.
Que todo el ritmo del mundo por estos cristales pasa
cuando pasan
ese pastor que va detrás de las cabras
con una enorme cayada,
esa mujer agobiada
con una carga
de leña en la espalda,
esos mendigos que vienen arrastrando sus miserias, de Pastrana,
y esa niña que va a la escuela de tan mala gana.
¡Oh, esa niña! Hace un alto en mi ventana
siempre y se queda a los cristales pegada
como si fuera una estampa.
¡Qué gracia
tiene su cara
en el cristal aplastada
con la barbilla sumida y la naricilla chata!
Yo me río mucho mirándola
y la digo que es una niña muy guapa…
Ella entonces me llama ¡tonto!, y se marcha.
¡Pobre niña! Ya no pasa
por esta calle tan ancha
caminando hacia la escuela de muy mala gana,
ni se para
en mi ventana,
ni se queda a los cristales pegada
como si fuera una estampa.
Que un día se puso mala,
muy mala,
y otro día doblaron por ella a muerto las campanas.

Y en una tarde muy clara,
por esta calle tan ancha,
al través de la ventana,
vi cómo se la llevaban
en una caja
muy blanca…
En una caja
muy blanca
que tenía un cristalito en la tapa.
Por aquel cristal se la veía la cara
lo mismo que cuando estaba
pegadita al cristal de mi ventana…
Al cristal de esta ventana
que ahora me recuerda siempre el cristalito de aquella caja
tan blanca.
Todo el ritmo de la vida pasa
por el cristal de mi ventana…
¡Y la muerte también pasa!

¡Qué lástima
que no pudiendo cantar otras hazañas,
porque no tengo una patria,
ni una tierra provinciana,
ni una casa
solariega y blasonada,
ni el retrato de un mi abuelo que ganara
una batalla,
ni un sillón de viejo cuero, ni una mesa, ni una espada,
y soy un paria
que apenas tiene una capa…
venga, forzado, a cantar cosas de poca importancia!

León Felipe


Versos y oraciones del caminante, Libro I, Madrid, 1920, in Nueva antología rota, Finisterre Editores, México, segunda edición, 1975




(En mi deteriorado ejemplar de la Nueva antología rota, puede leerse un sello de tinta roja que dice en letras mayúsculas: "El terrorismo fascista intentó destruir este libro. Coopera con los editores víctimas del más cobarde y retrógrado de los terrorismos conservando este valiente y valioso testimonio en un lugar de honor". Ahí está)





17 de abril de 2025

Unas fotografías de Auriane Defert

 









Auriane Defert - (2014 + 2015)


Unos versos de Fernando Assis Pacheco

 

El poema Páscoa, de Fernando Assis Pacheco, empieza así:  


A senhora tia alisa a toalha
põe sobre ela talheres muito antigos
herdados dos avós que a terra come





Ana Merino - «De niña al acostarme…»

 

De niña al acostarme
cerraba los ojos
y dudaba de los latidos de mi corazón.
Con la mano,
sujetaba el espacio imaginario de mi pecho
y le rogaba en silencio
que no se parase.

Creía que ese músculo de arterias y de venas
pensaba de otro modo,
que me podía dejar sola,
abandonarme
y decidir de un modo malicioso
apagar sus latidos.

Y así todas las noches
acariciaba mi pecho diminuto
y entre sollozos le pedía
que me dejase vivir un día más.

Ana Merino

(Madrid, 1971)


16 de abril de 2025

Joyce Briant, por Carl Van Vechten

 



La cantante, bailarina y activista por los derechos civiles Joyce Bryant (1927 - 2022), retratada por Carl Van Vechten en mayo de 1953.

Carl van Vechten (Cedar Rapids, Iowa, 1880 - Nueva York, 1964) fue un escritor y fotógrafo estadounidense, patrón del renacimiento de Harlem y albacea literario de Gertrude Stein, a quien conoció en París en 1913.

«Harlem in Colour: Living Portraits» en Diversity is beautiful 



Yannis Kondós - La escuela roja

 

LA ESCUELA ROJA

Aquel septiembre,
la clase olía a pintura,
olía a animal sacrificado.
Las carteras, los zapatos,
los bostezos de los niños
olían otra vez a matadero

Nada olía a música
como les habían prometido.

Yannis Kondós



ΤΟ ΚΟΚΚΙΝΟ ΣΧΟΛΕΙΟ

Εκείνο τον Σεπτέμβρη,
η τάξη μύριζε λαδομπογιά,
μύριζε σφαγμένο ζώο.
Οι τσάντες, τα παπούτσια,
τα χασμουρητά των παιδιών
μύριζαν πάλι σφαγή.

Τίποτα δεν μύριζε μουσική
όπως τους είχαν υποσχεθεί.

Γιάννης Κοντός



(Traducción de PLC)


La Escuela Roja en Καλλιθέα, municipio cerca de Atenas



Boccherini

 

So bene che la Musica è fatta per parlare al cuore dell’uomo ed a questo m’ingegno di arrivare se posso: la Musica senza affetti, e Passioni, è insignificante.

Luigi Boccherini, carta a M-J Chenier, 1799



En luys milán - fantasía, por josé miguel moreno y eligio quinteiro, Glossa Platinum, 2003



Vergílio Ferreira

 

(...) uma frase musical de um tocador ambulante, o assobio de quem passa, um talo de erva que irrompe de uma juntura de pedras, podem alvoroçar-nos como a mais pura e evidente aparição da beleza.

Vergílio Ferreira


Leído en O Assobiador (2002), de Ondjaki.   



15 de abril de 2025

César Vallejo - «He almorzado solo ahora, y no he tenido...»

 

XXVIII

He almorzado solo ahora, y no he tenido
madre, ni súplica, ni sírvete, ni agua,
ni padre que, en el facundo ofertorio
de los choclos, pregunte para su tardanza
de imagen, por los broches mayores del sonido.

Cómo iba yo a almorzar. Cómo me iba a servir
de tales platos distantes esas cosas,
cuando habráse quebrado el propio hogar,
cuando no asoma ni madre a los labios.
Cómo iba yo a almorzar nonada.

A la mesa de un buen amigo he almorzado
con su padre recién llegado del mundo,
con sus canas tías que hablan
en tordillo retinte de porcelana,
bisbiseando por todos sus viudos alvéolos;
y con cubiertos francos de alegres tiroriros,
porque estánse en su casa. Así, ¡qué gracia!
Y me han dolido los cuchillos
de esta mesa en todo el paladar.

El yantar de estas mesas así, en que se prueba
amor ajeno en vez del propio amor,
torna tierra el bocado que no brinda la
                                                              MADRE,
hace golpe la dura deglución; el dulce,
hiel; aceite funéreo, el café.

Cuando ya se ha quebrado el propio hogar,
y el sírvete materno no sale de la
tumba,
la cocina a oscuras, la miseria de amor.


César Vallejo



Trilce (1922)


César Abraham Vallejo Mendoza (Santiago de Chuco, 16 de marzo de 1892 - París, 15 de abril de 1938)

Wikipedia

Carlos Edmundo de Ory - César Vallejo

 

César Vallejo

Aquel que nunca tuvo locura curandera
Todo enfermo de raíces rostro inmenso
Cetro de ruiseñor en su cetrino rictus
Con tu memoria a cuestas recorro tanto canto
De grito miserere rey criaturial que no
Tuvo otro trono que su trino triste
Cabeza peñascosa alma de panes
Mi hermoso hermano con ojos de mina
Mi solo cristo y mi gemelo lobo
Sosia de tu garganta afeitada y no olvido
Tu faz naturalicia de tremendo extrañor
Como una catedral de hueso natural

(1973)

Carlos Edmundo de Ory


La flauta prohibida (1947 - 1978), en Música de lobo  Antología poética (1941 -2001). Selección y prólogo de Jaume Pont, Galaxia Gutenberg, 2003


César Vallejo (Santiago de Chuco, 16 de marzo de 1892 - París, 15 de abril de 1938)




14 de abril de 2025

Luis Cernuda - Telarañas cuelgan de la razón

 

TELARAÑAS CUELGAN DE LA RAZON

Telarañas cuelgan de la razón
En un paisaje de ceniza absorta;
Ha pasado el huracán de amor,
Ya ningún pájaro queda.

Tampoco ninguna hoja,
Todas van lejos, como gotas de agua
De un mar cuando se seca,
Cuando no hay ya lágrimas bastantes,
Porque alguien, cruel como un día de sol en primavera,
Con su sola presencia ha dividido en dos un cuerpo.

Ahora hace falta recoger los trozos de prudencia,
Aunque siempre nos falte alguno;
Recoger la vida vacía
Y caminar esperando que lentamente se llene,
Si es posible, otra vez, como antes,
De sueños desconocidos y deseos invisibles.

Tú nada sabes de ello,
Tú estás allá, cruel como el día;
El día, esa luz que abraza estrechamente un triste muro,
Un muro, ¿no comprendes?,
Un muro frente al cuál estoy sólo.

Luis Cernuda


Los placeres prohibidos (1931)



Una fotografía de Maximilien Le Roux

 


Maximilien Le Roux - Bandera de la Segunda República española _MG_9539 [sic, en español]

Manifestation du 6 juin 2023 contre la réforme Macron des retraites. Caen, Normandie, France



Federico García Lorca - Discurso en la inauguración de la biblioteca de Fuente Vaqueros (1931)

 


Discurso pronunciado por Federico Garcia Lorca en la inauguración de la biblioteca de su pueblo natal, Fuente Vaqueros, en 1931


Queridos paisanos y amigos:

Antes que nada yo debo deciros que no hablo sino que leo. Y no hablo, porque lo mismo que le pasaba a Galdós y en general, a todos los poetas y escritores nos pasa, estamos acostumbrados a decir las cosas pronto y de una manera exacta, y parece que la oratoria es un género en el cual las ideas se diluyen tanto que sólo queda una música agradable, pero lo demás se lo lleva el viento.

Siempre todas mis conferencias son leídas, lo cual indica mucho más trabajo que hablar, pero al fin y al cabo, la expresión es mucho más duradera porque queda escrita y mucho más firme puesto que puede servir de enseñanza a las gentes que no oyen o no están presentes aquí.

Tengo un deber de gratitud con este hermoso pueblo donde nací y donde transcurrió mi dichosa niñez por el inmerecido homenaje de que he sido objeto al dar mi nombre a la antigua calle de la iglesia. Todos podéis creer que os lo agradezco de corazón, y que yo cuando en Madrid o en otro sitio me preguntan el lugar de mi nacimiento, en encuestas periodísticas o en cualquier parte, yo digo que nací en Fuente Vaqueros para que la gloria o la fama que haya de caer en mí caiga también sobre este simpatiquísimo, sobre este modernísimo, sobre este jugoso y liberal pueblo de la Fuente. Y sabed todos que yo inmediatamente hago su elogio como poeta y como hijo de él, porque en toda la vega de Granada, y no es pasión, no hay otro pueblo más hermoso, ni más rico, ni con más capacidad emotiva que este pueblecito. No quiero ofender a ninguno de los bellos pueblos de la vega de Granada, pero yo tengo ojos en la cara y la suficiente inteligencia para decir el elogio de mi pueblo natal.

Está edificado sobre el agua. Por todas partes cantan las acequias y crecen los altos chopos donde el viento hace sonar sus músicas suaves en el verano. En su corazón tiene una fuente que mana sin cesar y por encima de sus tejados asoman las montañas azules de la vega, pero lejanas, apartadas, como si no quisieran que sus rocas llegaran aquí donde una tierra muelle y riquísima hace florecer toda clase de frutos.

El carácter de sus habitantes es característico entre los pueblos limítrofes. Un muchacho de Fuente Vaqueros se reconoce entre mil. Allí le veréis garboso, con el sombrero echado hacia atrás, dando manotazos y ágil en la conversación y en la elegancia. Pero será el primero, en un grupo de forasteros, en admitir una idea moderna o en secundar un movimiento noble.

Una muchacha de la Fuente la conoceréis entre mil por su sentido de la gracia, por su viveza, por su afán de elegancia y superación.

Y es que los habitantes de este pueblo tienen sentimientos artísticos nativos bien palpables en las personas que han nacido de él. Sentimiento artístico y sentido de la alegría que es tanto como decir sentido de la vida.

Muchas veces he observado, que al entrar en este pueblo hay como un clamor, un estremecimiento que mana de la parte más íntima de él. Un clamor, un ritmo, que es afán social y comprensión humana. Yo he recorrido cientos y cientos de pueblecitos como éste, y he podido estudiar en ellos una melancolía que nace no solamente de la pobreza, sino también de la desesperanza y de la incultura. Los pueblos que viven solamente apegados a la tierra tienen únicamente un sentimiento terrible de la muerte sin que haya nada que eleve hacia días claros de risa y auténtica paz social.

Fuente Vaqueros tiene ganado eso. Aquí hay un anhelo de alegría o sea de progreso o sea de vida. Y por lo tanto afán artístico, amor a la belleza y a la cultura.Yo he visto a muchos hombres de otros campos volver del trabajo a sus hogares, y llenos de cansancio, se han sentado quietos, como estatuas, a esperar otro día y otro y otro, con el mismo ritmo, sin que por su alma cruce un anhelo de saber. Hombres esclavos de la muerte sin haber vislumbrado siquiera las luces y la hermosura a que llega el espíritu humano. Porque en el mundo no hay más que vida y muerte y existen millones de hombres que hablan, viven, miran, comen, pero están muertos. Más muertos que las piedras y más muertos que los verdaderos muertos que duermen su sueño bajo la tierra, porque tienen el alma muerta. Muerta como un molino que no muele, muerta porque no tiene amor, ni un germen de idea, ni una fe, ni un ansia de liberación, imprescindible en todos los hombres para poderse llamar así. Es éste uno de los programas, queridos amigos míos, que más me preocupan en el presente momento.

Cuando alguien va al teatro, a un concierto o a una fiesta de cualquier índole que sea, si la fiesta es de su agrado, recuerda inmediatamente y lamenta que las personas que él quiere no se encuentren allí. “Lo que le gustaría esto a mi hermana, a mi padre”, piensa, y no goza ya del espectáculo sino a través de una leve melancolía. Ésta es la melancolía que yo siento, no por la gente de mi casa, que sería pequeño y ruin, sino por todas las criaturas que por falta de medios y por desgracia suya no gozan del supremo bien de la belleza que es vida y es bondad y es serenidad y es pasión.

Por eso no tengo nunca un libro, porque regalo cuantos compro, que son infinitos, y por eso estoy aquí honrado y contento de inaugurar esta biblioteca del pueblo, la primera seguramente en toda la provincia de Granada.

No sólo de pan vive el hombre. Yo, si tuviera hambre y estuviera desvalido en la calle no pediría un pan; sino que pediría medio pan y un libro. Y yo ataco desde aquí violentamente a los que solamente hablan de reivindicaciones económicas sin nombrar jamás las reivindicaciones culturales que es lo que los pueblos piden a gritos. Bien está que todos los hombres coman, pero que todos los hombres sepan. Que gocen todos los frutos del espíritu humano porque lo contrario es convertirlos en máquinas al servicio del Estado, es convertirlos en esclavos de una terrible organización social.

Yo tengo mucha más lástima de un hombre que quiere saber y no puede, que de un hambriento. Porque un hambriento puede calmar su hambre fácilmente con un pedazo de pan o con unas frutas, pero un hombre que tiene ansia de saber y no tiene medios, sufre una terrible agonía porque son libros, libros, muchos libros los que necesita, ¿y dónde están esos libros?

¡Libros!, ¡libros! He aquí una palabra mágica que equivale a decir: “amor, amor”, y que debían los pueblos pedir como piden pan o como anhelan la lluvia para sus sementeras. Cuando el insigne escritor ruso, Fiódor Dostoyevski, padre de la Revolución rusa mucho más que Lenin, estaba prisionero en la Siberia, alejado del mundo, entre cuatro paredes y cercado por desoladas llanuras de nieve infinita, pedía socorro en carta a su lejana familia, sólo decía: “¡Enviadme libros, libros, muchos libros para que mi alma no muera!”. Tenía frío y no pedía fuego, tenía terrible sed y no pedía agua, pedía libros, es decir horizontes, es decir escaleras para subir a la cumbre del espíritu y del corazón. Porque la agonía física, biológica, natural, de un cuerpo por hambre, sed o frío, dura poco, muy poco, pero la agonía del alma insatisfecha dura toda la vida.

Ya ha dicho el gran Menéndez Pidal, uno de los sabios más verdaderos de Europa, que el lema de la República debe ser: “Cultura”. Cultura, porque sólo a través de ella se pueden resolver los problemas en que hoy se debate el pueblo lleno de fe, pero falto de luz.

Y no olvidéis que lo primero de todo es la luz. Que es la luz obrando sobre unos cuantos individuos lo que hace los pueblos, y que los pueblos vivan y se engrandezcan a cambio de las ideas que nacen en unas cuantas cabezas privilegiadas, llenas de un amor superior hacia los demás.

Por eso ¡no sabéis qué alegría tan grande me produce el poder inaugurar la biblioteca pública de Fuente Vaqueros! Una biblioteca que es una reunión de libros agrupados y seleccionados, que es una voz contra la ignorancia; una luz perenne contra la oscuridad.Nadie se da cuenta al tener un libro en las manos, el esfuerzo, el dolor, la vigilia, la sangre que ha costado. El libro es sin disputa la obra mayor de la humanidad. Muchas veces, un pueblo está dormido como el agua de un estanque en día sin viento. Ni el más leve temblor turba la ternura blanda del agua. Las ranas duermen en el fondo y los pájaros están inmóviles en las ramas que lo circundan. Pero arrojad de pronto una piedra. Veréis una explosión de círculos concéntricos, de ondas redondas que se dilatan atropellándose unas a las otras y se estrellan contra los bordes. Veréis un estremecimiento total del agua, un bullir de ranas en todas direcciones, una inquietud por todas las orillas y hasta los pájaros que dormían en las ramas umbrosas saltan disparados en bandadas por todo el aire azul. Muchas veces un pueblo duerme como el agua de un estanque un día sin viento, y un libro o unos libros pueden estremecerle e inquietarle y enseñarle nuevos horizontes de superación y concordia.

¡Y cuánto esfuerzo ha costado al hombre producir un libro! ¡Y qué influencia tan grande ejercen, han ejercido y ejercerán en el mundo! Ya lo dijo el sagacísimo Voltaire: Todo el mundo civilizado se gobierna por unos cuantos libros: la Biblia, el Corán, las obras de Confucio y de Zoroastro. Y el alma y el cuerpo, la salud, la libertad y la hacienda se supeditan y dependen de aquellas grandes obras. Y yo añado: todo viene de los libros. La Revolución Francesa sale de la Enciclopedia y de los libros de Rousseau, y todos los movimientos actuales societarios comunistas y socialistas arrancan de un gran libro; de El capital, de Carlos Marx.

Pero antes de que el hombre pudiese construir libros para difundirlos, ¡qué drama tan largo y qué lucha ha tenido que sostener! Los primeros hombres hicieron libros de piedra, es decir escribieron los signos de sus religiones sobre las montañas. No teniendo otro modo, grabaron en las rocas sus anhelos con esta ansia de inmortalidad, de sobrevivir, que es lo que diferencia al humano de la bestia. Luego emplearon los metales. Aarón, sacerdote milenario de los hebreos, hermano de Moisés, llevaba una tabla de oro sobre el pecho con inscripciones, y las obras del poeta griego primitivo Hesíodo, que vio a las nueve musas bailar sobre las cumbres del monte Helicón, se escribieron sobre láminas de plomo. Más tarde los caldeos y los asirios ya escribieron sus códices y los hechos de su historia sobre ladrillos, pasando sobre éstos un punzón antes de que se secasen. Y tuvieron grandes bibliotecas de tablas de arcilla, porque ya eran pueblos adelantados, estupendos astrónomos, los primeros que hicieron altas torres y se dedicaron al estudio de la bóveda celeste. Los egipcios, además de escribir en las puertas de sus prodigiosos templos, escribieron sobre unas largas tiras vegetales llamadas papiros, que enrollaban. Aquí empieza el libro propiamente dicho. Como el Egipto prohibiera la exportación de esta materia vegetal, y deseando las gentes de la ciudad de Pérgamo tener libros y una biblioteca, se les ocurrió utilizar las pieles secas de los animales para escribir sobre ellas, y entonces nace el pergamino, que en poco tiempo venció al papiro y se utiliza ya como única materia para hacer libros, hasta que se descubre el papel. Mientras cuento esto de manera tan breve, no olvidar que entre hecho y hecho hay muchos siglos; pero el hombre sigue luchando con las uñas, con los ojos, con la sangre, por eternizar, por difundir, por fijar el pensamiento y la belleza.

Cuando a Egipto se le ocurre no vender papiros porque los necesitan o porque no quieren, ¿quién pasa en Pérgamo noches y años enteros de luchas hasta que se le ocurre escribir en piel seca de animal?, ¿qué hombre o qué hombres son estos que en medio del dolor buscan una materia donde grabar los pensamientos de los grandes sabios y poetas? No es un hombre ni son cien hombres. Es la humanidad entera la que les empujaba misteriosamente por detrás.

Entonces, una vez ya con pergamino, se hace la gran biblioteca de Pérgamo, verdadero foco de luz en la cultura clásica. Y se escriben los grandes códices. Diodoro de Sicilia dice que los libros sagrados de los persas ocupaban en pergaminos nada menos que mil doscientas pieles de buey. Toda Roma escribía en pergaminos. Todas las obras de los grandes poetas latinos, modelos eternos de profundidad, perfección y hermosura, están escritas sobre pergamino. Sobre pergaminos brotó el arrebatado lirismo de Virgilio y sobre la misma piel amarillenta brillan las luces densas de la espléndida palabra del español Séneca.

Pero llegamos al papel. Desde la más remota antigüedad el papel se conocía en China. Se fabricaba con arroz. La difusión del papel marca un paso gigantesco en la historia del mundo. Se puede fijar el día exacto en que el papel chino penetró en Occidente para bien de la civilización. El día glorioso que llegó fue el 7 de julio del año 751 de la era cristiana.

Los historiadores árabes y los chinos están conformes en esto. Ocurrió que los árabes, luchando con los chinos en Corea lograron traspasar la frontera del Celeste Imperio y consiguieron hacerles muchos prisioneros. Algunos prisioneros de estos tenían por oficio hacer papel y enseñaron su secreto a los árabes. Estos prisioneros fueron llevados a Samarkanda donde ejercieron su oficio bajo el reinado del sultán Harun al-Rachid, el prodigioso personaje que puebla los cuentos de Las mil y una noches.El papel se hizo con algodón, pero como allí escaseaba este producto, se les ocurrió a los árabes hacerlo de trapos viejos y así cooperaron a la aparición del papel actual. Pero los libros tenían que ser manuscritos. Los escribían los amanuenses, hombres pacientísimos que copiaban página a página con gran primor y estilo, pero eran muy pocas las personas que los podían poseer.

Y así, como las colecciones de rollos de papiros o de pergaminos pertenecieron a los templos o a las colecciones reales, los manuscritos en papel ya tuvieron más difusión, aunque naturalmente entre las altas clases privilegiadas. De este modo se hacen multitud de libros, sin que se abandone, naturalmente, el pergamino, pues sobre esta clase de materia se pintan por artistas maravillosas miniaturas de vivos colores de tal belleza e intensidad, que muchos de estos libros los conservan las actuales grandes bibliotecas, como verdaderas joyas, más valiosas que el oro y las piedras preciosas mejor talladas. Yo he tenido con verdadera emoción varios de estos libros en mis manos. Algunos códices árabes de la biblioteca de El Escorial y la magnífica Historia natural, de Alberto Magno, códice del siglo xiii existente en la Universidad de Granada, con el cual me he pasado horas enteras, sin poder apartar mis ojos de aquellas pinturas de animales, ejecutadas con pinceles más finos que el aire, donde los colores azules y rosas y verdes y amarillos se combinan sobre fondos hechos con panes de oro.

Pero el hombre pedía más. La humanidad empujaba misteriosamente a unos cuantos hombres para que abrieran con sus hachas de luz el bosque tupidísimo de la ignorancia. Los libros, que tenían que ser para todos, eran por las circunstancias objetos de lujo, y sin embargo son objetos de primera necesidad. Por las montañas y por los valles, en las ciudades y a las orillas de los ríos, morían millones de hombres sin saber qué era una letra. La gran cultura de la Antigüedad estaba olvidada y las supersticiones más terribles nublaban las conciencias populares.

Se dice que el dolor de saber abre las puertas más difíciles, y es verdad. Este ansia confusa de los hombres movió a dos o tres a hacer sus estudios, sus ensayos, y así apareció en el siglo XV, en Maguncia de Alemania, la primera imprenta del mundo. Varios hombres se disputan la invención, pero fue Gutenberg el que la llevó a cabo. Se le ocurrió fundir en plomo las letras y estamparlas, pudiendo así reproducir infinitos ejemplares de un libro. ¡Qué cosa más sencilla! ¡Qué cosa más difícil! Han pasado siglos y siglos, y sin embargo no ha surgido esta idea en la mente del hombre. Todas las claves de los secretos están en nuestras manos, nos rodean constantemente pero sin embargo, ¡qué enorme dificultad para abrir las puertecitas donde viven ocultos!

En las materias de la naturaleza se encuentran, sin duda, los lenitivos de muchas enfermedades incurables, ¿pero qué combinación es la precisa, la justa, para que el milagro se opere? Pocas veces en la historia del mundo hay un hecho más importante que éste de la invención de la imprenta. De mucho más alcance que los otros dos grandes hechos de su época: la invención de la pólvora y el descubrimiento de América. Porque si la pólvora acaba con el feudalismo y da motivo a los grandes ejércitos y a la formación de fuertes nacionalidades antes fraccionadas por la nobleza, y el nacimiento de América da lugar a un desplazamiento de la historia a una nueva vida y termina con un milenario secreto geográfico, la imprenta va a causar una revolución en las almas, tan grande que las sociedades han de temblar hasta sus cimientos. Y sin embargo ¡con qué silencio y qué tímidamente nace! Mientras la pólvora hacía estallar sus rosas de fuego por los campos, y el Atlántico se llenaba de barcos que con las velas henchidas por el viento iban y venían cargados de oro y materiales preciosos, calladamente en la ciudad de Amberes, Cristóbal Plantino establece la imprenta y la librería más importante del mundo, y ¡por fin!, hace los primeros libros baratos.

Entonces los libros antiguos, de los que quedaban uno o dos o tres ejemplares de cada uno, se agolpan en las puertas de las imprentas y en las puertas de las casas de los sabios pidiendo a gritos ser editados, ser traducidos, ser expandidos por toda la superficie de la tierra. Éste es el gran momento del mundo. Es el Renacimiento. Es el alba gloriosa de las culturas modernas con las cuales vivimos.

Muchos siglos antes de esto que cuento, después de la caída del imperio romano, de las invasiones bárbaras y el triunfo del cristianismo, tuvo el libro su momento más terrible de peligro. Fueron arrasadas las bibliotecas y esparcidos los libros. Toda la ciencia filosófica y la poesía de los antiguos estuvieron a punto de desaparecer. Los poemas homéricos, las obras de Platón, todo el pensamiento griego, luz de Europa, la poesía latina, el Derecho de Roma, todo, absolutamente todo. Gracias a los cuidados de los monjes no se rompió el hilo. Los monasterios antiguos salvaron a la humanidad. Toda la cultura y el saber se refugió en los claustros donde unos hombres sabios y sencillos, sin ningún fanatismo ni intransigencia (la intransigencia es mucho más moderna), custodiaron y estudiaron las grandes obras imprescindibles para el hombre. Y no solamente hacían esto, sino que estudiaron los idiomas antiguos para entenderlos y así se da el caso de que un filósofo pagano como Aristóteles influya decisivamente en la filosofía católica. Durante toda la Edad Media los benedictinos del monte Athos recogen y guardan infinidad de libros y a ellos les debemos conocer casi las más hermosas obras de la humanidad antigua.

Pero empezó a soplar el aire puro del Renacimiento italiano y las bibliotecas se levantan por todas partes. Se desentierran las estatuas de los antiguos dioses, se apuntalan los bellísimos templos de mármol, se abren academias como la que Cosme de Médicis fundó en Florencia para estudiar las obras del filósofo Platón, y en fin el gran papa Nicolás v enviaba comisionistas a todas las partes del mundo para que adquirieran libros y pagaba espléndidamente a sus traductores.

Pero con ser esto magnífico, el paso grande lo daba el editor Cristóbal Plantino en Amberes. Era de aquella casita con su patinillo cubierto de hiedras y sus ventanas de cristales emplomados, de donde salía la luz para todos con el libro barato y donde se urdía una gran ofensiva contra la ignorancia que hay que continuar con verdadero calor, porque todavía la ignorancia es terrible y ya sabemos que donde hay ignorancia es muy fácil confundir el mal con el bien y la verdad con la mentira.Naturalmente, los poderosos que tenían manuscritos y libros en pergamino, se sonrieron del libro impreso en papel como cosa deleznable y de mal gusto que estaba al alcance de todos. Sus libros estaban ricamente pintados con adornos de oro y los otros eran simples papeles con letras. Pero a mediados del siglo XV y gracias a los magníficos pintores flamencos, hermanos Van Eyck, que fueron también los primeros que pintaron con óleo, aparece el grabado y los libros se llenaron de reproducciones que ayudaban de modo notable al lector. En el siglo XVI, el genio de Alberto Durero lo perfeccionó y ya los libros pudieron reproducir cuadros, paisajes, figuras, siguiéndose perfeccionando durante todo el XVII para llegar en el siglo XVIII a la maravilla de las ilustraciones y la cumbre de la belleza del libro hecho con papel.

El siglo XVIII llega a la maravilla en hacer libros bellos. Las obras se editan llenas de grabados y aguafuertes, y con un cuidado y un amor tan grandes por el libro que todavía los hombres del siglo XX, a pesar de los adelantos enormes, no hemos podido superar. El libro deja de ser un objeto de cultura de unos pocos para convertirse en un tremendo factor social. Los efectos no se dejan sentir. A pesar de persecuciones y de servir muchas veces de pasto a las llamas, surge la Revolución Francesa, primera obra social de los libros. Porque contra el libro no valen persecuciones. Ni los ejércitos, ni el oro, ni las llamas pueden contra ellos; porque podéis hacer desaparecer una obra, pero no podéis cortar las cabezas que han aprendido de ella porque son miles, y si son pocas ignoráis dónde están.

Los libros han sido perseguidos por toda clase de Estados y por toda clase de religiones, pero esto no significa nada en comparación con lo que han sido amados. Porque si un príncipe oriental fanático quema la biblioteca de Alejandría, en cambio Alejandro de Macedonia manda construir una caja riquísima de esmaltes y pedrerías para conservar La llíada, de Homero; y los árabes cordobeses fabrican la maravilla del Mirahb de su mezquita para guardar en él un Corán que había pertenecido al califa Omar. Y pese a quien pese, las bibliotecas inundan el mundo y las vemos hasta en las calles y al aire libre de los jardines de las ciudades.

Cada día que pasa las múltiples casas editoriales se esfuerzan en bajar los precios, y hoy ya está el libro al alcance de todos en ese gran libro diario que es la prensa, en ese libro abierto de dos o tres hojas que llega oloroso a inquietud y a tinta mojada, en ese oído que oye los hechos de todas las naciones con imparcialidad absoluta; en los miles de periódicos, verdaderos latidos del corazón unánime del mundo.

Por primera vez en su corta historia tiene este pueblo un principio de biblioteca. Lo importante es poner la primera piedra, porque yo y todos ayudaremos para que se levante el edificio. Es un hecho importante que me llena de regocijo y me honra que sea mi voz la que se levante aquí en el momento de su inauguración, porque mi familia ha cooperado extraordinariamente a la cultura vuestra. Mi madre, como todos sabéis, ha enseñado a mucha gente de este pueblo, porque vino aquí para enseñar, y yo recuerdo de niño haberla oído leer en alta voz para ser escuchada por muchos. Mis abuelos sirvieron a este pueblo con verdadero espíritu y hasta muchas de las músicas y canciones que habéis cantado han sido compuestas por algún viejo poeta de mi familia. Por eso yo me siento lleno de satisfacción en este instante y me dirijo a los que tienen fortuna pidiéndoles que ayuden en esta obra, que den dinero para comprar libros como es su obligación, como es su deber. Y a los que no tienen medios, que acudan a leer, que acudan a cultivar sus inteligencias como único medio de su liberación económica y social. Es preciso que la biblioteca se esté nutriendo de libros nuevos y lectores nuevos y que los maestros se esmeren en no enseñar a leer a los niños mecánicamente, como hacen tantos por desgracia todavía, sino que les inculquen el sentido de la lectura, es decir, lo que vale un punto y una coma en el desarrollo y forma de una idea escrita.

Y ¡libros!, ¡libros! Es preciso que a la bibliotequita de la Fuente comiencen a llegar libros. Yo he escrito a la editorial de la Residencia de Estudiantes de Madrid, donde yo he estudiado tantos años, y a la Editorial Ulises, para ver si consigo que manden aquí sus colecciones completas, y desde luego, yo mandaré los libros que he escrito y los de mis amigos.

Libros de todas las tendencias y de todas las ideas. Lo mismo las obras divinas, iluminadas, de los místicos y los santos, que las obras encendidas de los revolucionarios y hombres de acción. Que se enfrenten el Cántico espiritual de san Juan de la Cruz, obra cumbre de la poesía española, con las obras de Tolstói; que se miren frente a frente La ciudad de Dios de san Agustín con Zaratustra de Nietzsche o El capital de Marx. Porque queridos amigos, todas estas obras están conformes en un punto de amor a la humanidad y elevación del espíritu, y al final, todas se confunden y abrazan en un ideal supremo.

Y ¡lectores!, ¡muchos lectores! Yo sé que todos no tienen igual inteligencia, como no tienen la misma cara; que hay inteligencias magníficas y que hay inteligencias pobrísimas, como hay caras feas y caras bellas, pero cada uno sacará del libro lo que pueda, que siempre le será provechoso, y para algunos será absolutamente salvador. Esta biblioteca tiene que cumplir un fin social, porque si se cuida y se alienta el número de lectores, y poco a poco se va enriqueciendo con obras, dentro de unos años ya se notará en el pueblo, y esto no lo dudéis, un mayor nivel de cultura. Y si esta generación que hoy me oye no aprovecha por falta de preparación todo lo que puedan dar los libros, ya lo aprovecharán vuestros hijos. Porque es necesario que sepáis todos que los hombres no trabajamos para nosotros sino para los que vienen detrás, y que éste es el sentido moral de todas las revoluciones, y en último caso, el verdadero sentido de la vida.

Los padres luchan por sus hijos y por sus nietos, y egoísmo quiere decir esterilidad. Y ahora que la humanidad tiende a que desaparezcan las clases sociales, tal como estaban instituidas, precisa un espíritu de sacrificio y abnegación en todos los sectores, para intensificar la cultura, única salvación de los pueblos.

Estoy seguro que Fuente Vaqueros, que siempre ha sido un pueblo de imaginación viva y de alma clara y risueña como el agua que fluye de su fuente, sacará mucho jugo de esta biblioteca y servirá para llevar a la conciencia de todos nuevos anhelos y alegrías por saber. Os he explicado a grandes trazos el trabajo que ha costado al hombre llegar a hacer libros para ponerlos en todas las manos. Que esta modesta y pequeña lección sirva para que los améis y los busquéis como amigos. Porque los hombres se mueren y ellos quedan más vivos cada día, porque los árboles se marchitan y ellos están eternamente verdes y porque en todo momento y en toda hora se abren para responder a una pregunta o prodigar un consuelo.

Y sabed, desde luego, que los avances sociales y las revoluciones se hacen con libros y que los hombres que las dirigen mueren muchas veces como el gran Lenin de tanto estudiar, de tanto querer abarcar con su inteligencia. Que no valen armas ni sangre si las ideas no están bien orientadas y bien digeridas en las cabezas. Y que es preciso que los pueblos lean para que aprendan no sólo el verdadero sentido de la libertad, sino el sentido actual de la comprensión mutua y de la vida. Y gracias a todos. Gracias al pueblo, gracias en particular a la agrupación socialista que siempre ha tenido conmigo las mayores deferencias, y gracias a vuestro alcalde, don Rafael Sánchez Roldán, hombre benemérito, verdadero y leal hijo del trabajo, que ha adquirido por su propio esfuerzo ilustración y conciencia de su época, y merced al cual es hoy un hecho esta biblioteca pública.

Y un saludo a todos. A los vivos y a los muertos, ya que vivos y muertos componen un país. A los vivos para desearles felicidad y a los muertos para recordarlos cariñosamente porque representan la tradición del pueblo y porque gracias a ellos estamos todos aquí. Que esta biblioteca sirva de paz, inquietud espiritual y alegría en este precioso pueblo donde tengo la honra de haber nacido, y no olvidéis este precioso refrán que escribió un crítico francés del siglo XIX: “Dime qué lees y te diré quien eres”.

He dicho.

Septiembre de 1931