Le lettere d’amore si nutrono di lontananza.
Carlo Gragnani
*
Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas,
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas).
Fernando Pessoa escribió este poema de Álvaro de Campos el 21 de octubre de 1935, cuarenta días antes de morir en Lisboa.
*CARTA XLI
Exma. Senhora D. Ophelia Queiroz:
Um abjecto e miseravel individuo chamado Fernando Pessoa, meu particular e querido amigo, encarregou-me de comunicar a V. Exª —considerando que o estado mental d’elle o impede de communicar qualquer coisa, mesmo a uma ervilha secca (exemplo da obediência e da disciplina) — que V. Exª está prohibida de:
(1) pesar menos grammas,
(2) comer pouco,
(3) não dormir nada,
(4) ter febre,
(5) pensar no indivíduo em questão.
Pela minha parte, e como íntimo e sincero amigo que sou do meliante de cuja communicação (com sacrifício) me encarrego, aconselho V. Ex.a a pegar na imagem mental, que acaso tenha formada do individuo cuja citação está estragando este papel razoavelmente branco, e deitar essa imagem mental na pia, por ser materialmente impossivel dar esse justo Destino á entidade fingidamente humana a quem elle competiria, se houvesse justiça no mundo.
Cumprimenta V. Exª
Álvaro de Campos
eng. Naval
25/9/1929
ABEL

No hay comentarios:
Publicar un comentario