Rudolf Schlichter (1890-1955) - Hausvogteiplatz, 1926 (acuarela)
Augen in der Großstadt
Wenn du zur Arbeit gehst
am frühen Morgen,
wenn du am Bahnhof stehst
mit deinen Sorgen:
da zeigt die Stadt
dir asphaltglatt
im Menschentrichter
Millionen Gesichter:
Zwei fremde Augen, ein kurzer Blick,
die Braue, Pupillen, die Lider -
Was war das? vielleicht dein Lebensglück...
vorbei, verweht, nie wieder.
Du gehst dein Leben lang
auf tausend Straßen;
du siehst auf deinem Gang,
die dich vergaßen.
Ein Auge winkt,
die Seele klingt;
du hasts gefunden,
nur für Sekunden...
Zwei fremde Augen, ein kurzer Blick,
die Braue, Pupillen, die Lider;
Was war das? kein Mensch dreht die Zeit zurück...
Vorbei, verweht, nie wieder.
Du mußt auf deinem Gang
durch Städte wandern;
siehst einen Pulsschlag lang
den fremden Andern.
Es kann ein Feind sein,
es kann ein Freund sein,
es kann im Kampfe dein
Genosse sein.
Es sieht hinüber
und zieht vorüber...
Zwei fremde Augen, ein kurzer Blick,
die Braue, Pupillen, die Lider.
Was war das?
Von der großen Menschheit ein Stück!
Vorbei, verweht, nie wieder.
Kurt Tucholsky
(1890 - 1935)
Max Beckmann (1884 - 1950) - Sinnende Frau am Meer, 1936/37. Museo Ludwig, préstamo del Museo de Arte de Bremen.
INSTINTO SELECTIVO
Acongojante falsedad de los recuerdos
que intempestivamente me visitan,
¿qué querrán, cómo habrán sobrevivido
durante tantos años,
hasta cuándo
desdeñarán mi turno de perplejo?
Son más bien como intrusos
que tratan de engañarme con historias
apócrifas, que fingen prevenirme
de las muchas disputas
que siempre han mantenido con mi felicidad.
También se profetiza lo que ya se ha vivido.
José Manuel Caballero Bonald
Diario de Argónida (1997)
SETE PORTAS TENHO EM CASA
Sete portas tenho em casa,
uma em cada direcção:
norte, sul, oeste e leste,
outra pròs bichos do chão,
e a de cima pra quem mora
lá por Marte ou em Plutão,
mais a que tu arrombaste
e era a do meu coração.
Trago o mundo na algibeira,
vou por terra de ilha em ilha,
passo a nado a cordilheira,
desço o deserto em trenó.
E o lencinho de Sevilha
que eu guardava na carteira
ouviu fado a noite inteira
e ficou de meter dó.
Trago o raminho do mundo
pendurado na cintura,
giestas de Singapura,
maracujá do Alasca,
alguém toca blues na tasca
e eu em Praga canto o fado
com o meu xaile enlaçado
no negro da boina basca.
Amélia Muge
Não sou daqui (2007)
(A canção)
À instabilidade das cousas do mundo
Nasce o sol, e não dura mais que um dia,
Depois da luz, se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas, a alegria.
Porém, se acaba o sol, por que nascia?
Se é tão formosa a luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas, no sol, e na luz, falta a firmeza;
Na formosura, não se dê constância,
E, na alegria, sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza:
A firmeza, somente na inconstância.
Gregório de Matos
(Salvador de Bahía, Brasil, 1636 - Recife, 1696)
(aquí)