A forma como olhámos para as nossas mãos na infância, e a forma como olhamos para elas, agora; estou a olhar para as minhas mãos agora, não muda. As mesmas mãos. Como puderam envelhecer e ser ainda as mesmas? As unhas iguais. Os nós dos dedos. Os mesmos olhos. O mesmo pensamento, quando olhamos, com os mesmos olhos, as mesmas mãos.
A partir de certa idade, muito cedo na infância, já somos nós, o que há-de perseguir-nos sempre.
Isabela Figueiredo
Caderno de Memórias Coloniais, Caminho, 2015, 7ª edição (1ª ed., Angelus Novus, 2009)
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