Fotografía de Herr_Mueller - The Good Life #1

31 de octubre de 2022

«A pedra de Drummond»



El poema de Carlos Drummond de Andrade, «No meio do caminho», leído, además de en portugués, en las siguientes lenguas: inglés, hebreo, danés, francés, holandés, italiano, húngaro, alemán, latín, español y tupí. Carlos Drummond de Andrade nació el 31 de octubre de 1902 en la ciudad de Itabira, en el estado brasileño de Minas Gerais. Falleció en Río de Janeiro en 1987. Hace años que en tal día como hoy se celebra el Dia D en Brasil, homenaje a su gran poeta.


NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.


Carlos Drummond de Andrade, Revista de Antropofagia (1928)


«O poema, publicado posteriormente no livro "Alguma Poesia" (1930), causou um verdadeiro escândalo na imprensa da época, provocando ataques ferrenhos ao autor por críticos que se negavam sequer a considerar poesia aquele texto ousadamente estruturado na repetição e numa construção lingüística simples, coloquial, que afirma a fala popular “tinha uma pedra” em detrimento da forma culta “havia uma pedra”.

Depois dos vários ataques da crítica, o próprio Drummond afirma “sou o autor confesso de certo poema, insignificante em si, mas que a partir de 1928 vem escandalizando meu tempo, e serve até hoje para dividir no Brasil as pessoas em duas categorias mentais". Apesar de Drummond nunca ter esclarecido quais seriam essas “duas categorias mentais”, fica claro o impacto do poema diante da opinião pública da época, que sentiu-se obrigada a parar diante daquela pedra no meio do caminho e expressar seu posicionamento com relação a ela - ou entusiasticamente favorável, como se mantiveram os modernistas e simpatizantes, ou radicalmente contra, como a maioria da crítica literária conservadora da época. Aliás, até hoje, a pedra drummondiana permanece impassível e desafiadora, na sua mudez de minério, a fomentar questões, estudos e paixões nos caminhos dos admiradores e estudiosos da obra do poeta.
»

Andrea Barros, em Carlos Drummond de Andrade: modernismo e a pedra no caminho







Una fotografía de Lucia Inês de Araújo

 





30 de octubre de 2022

Karl Kraus - «En caso de duda...»

 

En caso de duda, decídase por lo correcto.

Karl Kraus


Im Zweifel entscheide man sich für das Richtige.



Dichos y contradichos (Karl Kraus), Traducción y notas de Adan Kovacsics. Editorial Minúscula, 2003 [edición no bilingüe]. Título original: Sprüche und Widersprüche, 1909.



Dos Marías Magdalenas de Ambrosius Benson

 

Marie Madeleine lisant (1520, The National Gallery, Londres)


María Magdalena, Museo Groeninge de Brujas


Ambrosius Benson (¿Región de Lombardía?, h. 1490-1500 – Brujas, enero de 1550) fue un pintor flamenco de presumible origen italiano, padre de los pintores y discípulos Guillaume Benson, también conocido como Willem Benson (1521-1574) y Jan Benson (antes de 1530 -1581). Se le supone nacido en la zona de Milán, ya que San Ambrosio es precisamente el santo patrón de la ciudad.

Poco conocido por los historiadores del arte hasta el siglo XX, su obra era englobada bajo el nombre de «Maestro de Segovia» por las abundantes pinturas de estilo similar existentes en dicha ciudad y alrededores. Posteriormente, se desveló la identidad de Ambrosius Benson gracias a las iniciales descubiertas en un cuadro típico de su estilo.

La presencia de tantas obras de Benson en España se explica por el flujo comercial que se desarrolló entre Brujas y Segovia en los siglos XV y XVI, mayormente por la compraventa de lana y tejidos. También parece evidente que Benson creó abundantes pinturas expresamente para el mercado español.

(Wikipedia)


Una fotografía de Erik Almas

 



©Erik Almas - Holy Mother


27 de octubre de 2022

Vicente Núñez y João Guimarães Rosa

  

No me fío en absoluto de la brevedad de las sentencias.
        En la extensión del fárrago está el hallazgo.
        Guimarães Rosa

Vicente Núñez 


Poesía y sofismas  II. Sofismas (Vicente Núñez). Edición de Miguel Casado.Visor, 2008. 



– NONADA. TIROS QUE O SENHOR ouviu foram de briga de homem não, Deus esteja. Alvejei mira em árvores no quintal, no baixo do córrego. Por meu acerto. Todo dia isso faço, gosto; desde mal em minha mocidade. Daí, vieram me chamar. Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser – se viu –; e com máscara de cachorro. Me disseram; eu não quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de beiços, esse figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, cara de cão: determinaram – era o demo. Povo prascóvio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. Não tenho abusões. O senhor ri certas risadas... Olhe: quando é tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente – depois, então, se vai ver se deu mortos. O senhor tolere, isto é o sertão. Uns querem que não seja: que situado sertão é por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucuia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, então, o aqui não é dito sertão? Ah, que tem maior! Lugar sertão se divulga: é onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze léguas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade. O Urucuia vem dos montões oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo dá – fazendões de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que vão de mata em mata, madeiras de grossura, até ainda virgens dessas lá há. O gerais corre em volta. Esses gerais são sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: pão ou pães, é questão de opiniães... O sertão está em toda a parte.


Comienzo de Grande Sertão: Veredas (1956), de João Guimarães Rosa